quarta-feira, 4 de abril de 2018


Tiro no cérebro

Que tiro foi esse?
Foi mais um disparo de carabina calibre 22 no crânio. E lá se vão mais alguns milhões de neurônios...
Ó, pra começar, sou do tempo em que Toddy vinha em lata de metal e não em quilos de carne. E dentro da lata, em vez de lixo em forma de música, havia um delicioso achocolatado. Mais: soldados da cavalaria e índios! É, jovem do século XXI: nos anos 60 as latas de Toddy ofereciam de brinde miniaturas plásticas do velho Oeste norte-americano. Era a coleção Forte Apache (ainda que os índios fossem mais parecidos com navajos, comanches ou sioux; mas isso era detalhe). Cheguei a montar dois bons exércitos, com os soldados quase todos a cavalo. Faltou o forte propriamente dito, pois o preço ficava acima do orçamento da família. Sem problema, pois bastavam a criatividade e alguns pedaços de lenha pra construir belíssimas fortificações; não era preciso gastar num forte de plástico.
Sabia, leitor das antigas, que dá pra comprar latas antigas de Toddy COM personagens do Forte Apache? É só dar uma olhada nos sites de e-commerce, tipo Mercado Livre. Só não dá pra consumir o achocolatado, mais ou menos vencido desde 1967 e quejandos.
Amigo leitor, fiel leitora, repito aqui algo que escrevi há uns seis anos, quando Teló explodiu aquele horrível e grudento “ai se eu te pego”. Ainda bem que o moço retomou o sertanejo de raiz após empanturrar o cofre. Repriso: sei que, em todas as épocas, as artes têm coisas ruins entre tantas outras boas. Sempre houve música brega, cafona, abaixo da crítica. Mas acho que o momento atual beira o exagero (e esse “atual” parece não ter fim). Se não procurarmos bem, o que se ouve por aí, especialmente no rádio e na TV, tem mais ruindade do que algo que se aproveite.
Longe de ser ranzinza, clamo em nome do bom gosto. Você, leitor, já prestou atenção na profundidade das letras das “obras” funk? Na primeira vez que abordei o tema, uma tal de “mulher-melão” (recuso-me a escrever em maiúsculas) estava em alta. Vi uma entrevista da “artista” e fiquei matutando: como alguém com um timbre de voz totalmente rouco pode cantar? Quando mostraram um trecho de show da moça, dublando a si própria, saquei: a voz que saía do playback não era dela nem a pau!
Não me arvoro em defensor deste ou daquele gênero, muito menos de compositores ou de intérpretes. Assim como adoro música clássica, me amarro num bom vaneirão e na música caipira; amo samba e sou admirador do bom rock anos 70; curto a jovem guarda e o pop da Madonna. Enfim, sou eclético. Mas em todos os gêneros – mesmo nestes dos quais sou fã – há besteiras. Há quem assassine a música erudita; tchê music é deturpação da música gaúcha autêntica; há quem se diga caipira e toca um tal de sertanejo universitário (fala a verdade: os universitários ouvem esse tipo de música?). E por aí vai.
Mas, repito, em todos os tempos jamais houve tanta coisa ruim como agora. É demais, não dá para ouvir uma emissora FM popular mais do que duas ou três músicas. E dali a uma hora, quando trocar o comunicador, as mesmas obras vão se repetir. No final da manhã, entre as mais tocadas, lá vêm elas de novo. Felizmente, o dial está cheio de opções – ou não, dependendo do ponto de vista. Sou amarrado em rádio, mas ultimamente tem sido melhor escolher repertório no Youtube.

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