A máquina do tempo
Duvido! Duvi-de-ó-dó! Duvido que tenha alguém, em qualquer
parte do mundo, que jamais tenha imaginado uma viagem no tempo. De preferência
ao passado. “Pra mudar algumas coisinhas...” direis. Por exemplo: ter sido mais
ousado (ou ousada) nas tentativas de conquistar aquela (ou aquele) colega do
ginásio por quem você era apaixonado (a); agora, vendo o antigo amor feliz da
vida na indissolúvel (tá... tá... nem tanto) união do matrimônio, bate o
arrependimento. Então você fica se recordando das tardes gostosas na sala de
aula, olhando, olhando... Já na época, a maquininha do tempo lá no fundo do
cérebro funcionava, mostrando imagens do futuro: vocês dois de mãos dadas no
cinema, se casando ante as lágrimas das mamães, criando os filhos...
- Acorde!
Puxa, o professor desligou a máquina.
Agora, cabecinha encostada no travesseiro, lá vai você ao
passado, analisando o que fez de errado e planejando o que fará quando enfim
puder fazer a viagem de volta.
Mas cuidado! Há coisas que é melhor não mudar.
Entremos no cinema.
“Questão de Tempo”, “Efeito Borboleta” (o primeiro, pois não
vi o II e o III) e “O Som do Trovão” são filmes interessantes e bons sobre o
tema.
Produção britânica de 2013, dirigida por Richard Curtis,
“About Time” é uma comédia romântica com a seguinte sinopse: ao completar 21 anos, Tim (Domhnall Gleeson) é
surpreendido com a notícia dada por seu pai (Bill Nighy) de que pertence a uma
linhagem de viajantes no tempo. Ou seja, todos os homens da família conseguem
viajar para o passado, bastando apenas ir para um local escuro e pensar na
época e no local para onde desejam ir. Cético a princípio, Tim logo se empolga
com o dom ao ver que seu pai não está mentindo. Sua primeira decisão é usar
esta capacidade para conseguir uma namorada, mas logo ele percebe que viajar no
tempo e alterar o que já aconteceu pode provocar consequências inesperadas.
Entre elas... (tranquilo, não vou meter spoiler aqui, veja o filme).
“The Buterfly Efect” já se
tornou um clássico moderno, ainda que tenha meros treze anos. Com direção de
Eric Bress e J. Mackie Gruber, tem Ashton Kutcher interpretando um jovem que
luta para esquecer fatos de sua infância. Para tanto ele volta ao passado.
Porém, ao tentar consertar seus antigos problemas ele termina por criar novos,
já que toda mudança que realiza gera consequências em seu futuro.
No terreno da ficção
científica temos “O Som do Trovão”, de 2005, dirigido por Peter Hyams. Baseado
em conto do grande escritor Ray Bradbury, gerou um bom filme. Também li uma
versão em quadrinhos no saudoso gibi Kripta. Esse já é mais fantasioso, com
tecnologia a favor da viagem no tempo, safári pré-histórico e suspense. Os
“viajantes” precisam respeitar uma regra de ouro: só apreciar, sem interagir de
maneira alguma com o ambiente do passado; até que alguém pisoteia um inseto...
Os três filmes citados têm em
comum a mesma mensagem: mudar o passado pode provocar consequências inesperadas
(geralmente negativas) no presente. Melhor seguir à risca o regulamento do
organizador de passeios de “O Som do Trovão”: não mexa em nada, só olhe.