Tenho visto nas redes sociais e escutado em conversas ao vivo uma reclamação constante sobre a falta de qualidade da televisão, de um modo geral. Um dia, é um velho amigo de infância que brada contra o besteirol de um tal de Faustão. Até pergunta se tem algum mecanismo pra tirar o som daquele berreiro. Outro estrila contra a baixa qualidade de um certo Zorra, que ataca sem dó os dogmas religiosos. E há os que vivem postando no WhatsApp as falsas notícias, seguidas do inevitável “…isso a Globo não dá…”. Affff… diria o Painho, inesquecível personagem de Chico City. Claro que a Globo não vai dar, assim como nenhuma emissora ou qualquer veículo de imprensa. Afinal, não há qualquer projeto de lei no Congresso prevendo a suspensão da CNH trinta dias após o vencimento. E outras “notícias bombásticas” do gênero.
Bem, faço aqui uma sugestão a todos que reclamam. Se você está nesse grupo, anote.
Primeiro, pegue aí no teu lado, no sofá ou na mesinha de centro, um aparelhinho eletrônico. Ele costuma ser retangular, mede uns 15 x 5 cm, geralmente é preto e tem um monte de botõezinhos coloridos. No canto superior, às vezes no direito, outras no esquerdo, há um botão vermelho. Sobre ele, acima ou abaixo – depende da marca do aparelho – há uma inscrição que varia do inglês POWER ao português LIGA/DESLIGA; também pode estar escrito ON/OFF ou simplesmente L/D. Aponte o aparelho para o outro, grandão, na estante ou no rack, onde há algo desagradável. Aperte o botão vermelho, com suavidade, pois é eletrônico, e… pufff! … lá se foi. O aparelho grandão se apaga, somem imagem e sons desagradáveis. Aquilo só volta se você apertar novamente o botãozinho vermelho.
Então, não se esqueça: enquanto o botão vermelho não for pressionado, você fica livre da aporrinhação.
Agora, o segundo passo. Vamos ligar outro equipamento. Antes, vejamos se esse você tem em casa. Dê uma campeada nas estantes, nos armários, baús e outros lugares onde você costuma colocar algo que não pretende mais usar. É um objeto também retangular, mas maior, tamanho médio de 21 x 14 cm. Em vez do preto pontilhado de botões multicores, esse quase sempre é colorido, e costuma ter ilustrações na tampa, indicando seu conteúdo. Os antigos o batizaram de LIVRO.
Se, por acaso, você não encontrar nenhum em casa, ainda há solução. Esse aparelho pode ser encontrado em locais chamados LIVRARIAS. Também há modelos compráveis em outros tipos de estabelecimentos comerciais. Eles custam bem menos que o aparelho grandão da tua sala. Há livrarias especializadas em equipamentos usados, são chamadas SEBOS. Ali são mais baratos que os novos, e a utilização é a mesmíssima.
Bueno, está com o aparelho em mãos? Vamos aprender a utilizá-lo. Não precisa cabo de energia, pilha nem qualquer fonte. No máximo, é só acender a luz se for usá-lo à noite. Para ligar, basta levantar a tampa e ir virando as folhas. Se não terminar todas as etapas de uma vez, utilize um pedaço de papel, uma foto, um santinho, uma fita ou qualquer outra coisa como marcador, para retomar a tarefa na próxima vez. Eu uso há alguns anos uma nota de 1 real; mas aceito se alguém me der uma de 100 dólares pra substituí-la.
Caso você não possa dispor agora do valor necessário para adquirir uns aparelhos desses, encontra quase de graça em outro lugar, chamado BIBLIOTECA. A diferença é que, nesse caso, você devolve após usar. Também tenho um monte deles aqui, posso te emprestar.
As vantagens do livro sobre a TV: você escolhe o que vai ver; adquire conhecimentos; viaja pelo Universo sem sair de casa; não se expõe à destruição dos neurônios; pode levá-lo pra onde quiser (já tentou carregar um televisor de 40 polegadas pra praia?). E tudo isso em silêncio...