Parabéns, professora!
Calma, não tô me adiantando, sei que o Dia do Professor é só
15 de outubro. Naquela data, com quase certeza, escreverei uma crônica a
respeito do tema. É que hoje, 4 de abril, quando escrevo esse texto, minha
agenda marca o aniversário da professora Marília, uma das minhas mestras no
ginásio. Ao cumprimentá-la, não tenho como não passar o dedo no cantinho do
olho, onde uma furtiva gotinha desceria face abaixo.
E por que o acesso de nostalgia?
Ora, primeiro porque sou saudosista mesmo, quem me lê sabe
disso. Não que me apegue ao passado, mas não gosto de esquecê-lo, por tudo que
representa e pelas lições aplicadas no presente.
Marília, nascida lá no Sul do estado e tornada
rio-negrinhense quando o marido Pedrinho Berkenbrock assumiu a direção do
Ginásio São José, compunha um time de professores que marcou a história de Rio
Negrinho. Eles começaram a entrar em minha vida em março de 1968, no primeiro
dia de aula no curso ginasial (correspondente aos atuais últimos quatro anos do
ensino fundamental). Eu saía do primário no Educandário Santa Teresinha,
mantido por uma congregação religiosa, onde quatro freiras deram-me a base para
tudo que viria depois.
Felizmente, tanto o primário quanto o ginásio funcionavam no
mesmo prédio, pois lá a então CNEG – Campanha Nacional de Escolas Gratuitas –,
hoje CNEC, arrendava todo o pavimento térreo para instalar o ginásio. Por isso,
desci do segundo andar pro térreo, trocando o uniforme cáqui de marinheiro por
um azul e branco (não era pra ser militar, mas tinha uma tirinha sobre o ombro
da camisa, como em alguns uniformes). Aliás, no primeiro ano não havia
uniforme, cada um ia como queria pra aula; foi em 1969 que o professor Pedrinho
decidiu criar uma roupa padrão: calça azul, camisa branca com a tal dragona –
ou algo assim – azul no ombro e blusa azul; nos pés, conga azul no dia-a-dia e
branca no desfile de 7 de setembro. Já em 1970 a blusa foi substituída por uma
japona azul-escuro, bem grossa pra suportar o frio da serra. E em 1971 saíram a
camisa e a japona e entrou uma blusa amarela com o símbolo do ginásio em azul
na frente. Esse uniforme perenizou-se, ganhando os acréscimos de camisa de
mangas curtas e bermudas (já não se fazem invernos como antigamente, nem em Rio
Negrinho).
Pois bem, retomando o fio da história... Enquanto no
primário uma irmã dava todas as matérias pra cada classe, no ginásio tínhamos
diversos professores, cada um encarregado de uma disciplina. Meus colegas de
turma podem me ajudar a refrescar a memória, mas pelo que me lembro, Kormann
dava História; Arnaldo, Matemática; Marília, Português; Pedrinho, Desenho;
Íria, Canto Orfeônico; e Ciência, meus deuses, quem era o professor de
Ciências? Ah, memória traiçoeira...
Ao longo dos quatro anos de ginásio, alguns mestres
permaneceram, vieram outros – padre Otto no Inglês; Arete na Educação
Artística; Marcos na Matemática; Valdir no Português; Edvino em Ciências; o
Sargento na Educação Física – e o principal era que a qualidade só crescia.
Soubemos, lá por 1970 ou 71, que o São José era considerado o melhor ginásio da
rede cenecista no país. Eita, orgulho!
Alguns dos professores acompanharam parte da turma no
Científico, já em outro colégio, o Estadual Manoel da Nóbrega. E dois ou três
colegas enveredaram pelo sagrado ofício do magistério, dando aulas no nosso
ginásio.
Aproveito, então, o aniversário da professora Marília (que
nos ensinou a preciosa dica: acentuam-se as paroxítonas terminadas em lãnirux)
para recordar e homenagear todos os professores a quem respondi “presente!” nos
onze anos de escola. Anos que, garanto, foram imprescindíveis para formar o
cidadão que sou hoje.
(E já vale essa crônica para o dia 15 de outubro)