quarta-feira, 4 de abril de 2018


No tempo de Elis

Quem foi Elis Regina? Ora, direis, foi uma das maiores intérpretes da música brasileira. Simples assim.
Concordo. Elis Regina foi uma das mais autênticas cantoras que ouvi. Aliás, que ainda ouço, pois pra isso existem discos e o Youtube. Sexta, dia 19, fez 36 anos que a gaúcha calou-se nesta vida.
Lembro-me muito bem da primeira vez que assisti àquela intérprete cantando e chacoalhando os braços – gesto que lhe valeu o apelido de “Eliscóptero”, dado por Rita Lee. Eu tinha 8 anos, em 1965, quando vi na TV como era a cantora que só ouvia no rádio. Ela defendeu “Arrastão”, de Vinícius de Moraes e Edu Lobo, no festival de MPB da TV Excelsior. Ali decolou uma carreira que vinha se arrastando em discos (quatro já gravados!) de pouco sucesso. A partir de então, o público descobriu os álbuns anteriores, veio o convite para apresentar o programa “O Fino da Bossa” com Jair Rodrigues, a moça passou a vender disco adoidado e entrou para a seleta galeria das grandes intérpretes mundiais.
Eu morava em São Paulo, em 1976, quando Elis lançou o elepê “Falso Brilhante”, que considero um dos melhores. O disco continha canções do show de mesmo título, que estreara no ano anterior. O show ficou dois anos em cartaz, com mais de 1.200 apresentações. Nesse espetáculo, Elis interpretou duas canções (“Como Nossos Pais” e “Velha Roupa Colorida”) escritas por Belchior, tornando mais conhecido o então jovem compositor cearense. Desde aquela época, “Falso Brilhante” é o maior sucesso da carreira de Elis Regina, além de ser um dos discos mais representativos da MPB. Caramba, como eu queria ir ver o show... O ingresso, infelizmente, custava quase o que minha mãe pagava de mensalidade na faculdade. Fiquei na vontade.
Veja só, cara leitora, prezado leitor: dos nomes que citei acima, só dois permanecem vivos, Edu Lobo e Rita Lee; os demais já foram para outro plano. O que têm em comum Elis, Rita, Vinícius, Edu, Jair e Belchior? Todos representam uma época em que dava gosto ligar o rádio ou ir ali na Discolândia comprar um elepê (ainda posso citar a Disrepel de Rio Negrinho e a Bruno Blois de São Paulo, onde também costumava adquirir discos).
- Tá, cronista, você gosta de Cynara e Cybele, mas eu prefiro Simone e Samaritana – alega o jogador de futebol ali ao lado, com seu cabelinho da hora e os caríssimos fones de ouvido despejando pagonejo nos vãos do cérebro.
Tudo bem, sempre digo isso: questão de gosto. Mas, sinceramente, entre a afinação do Quarteto em Cy (as manas Cybele, Cylene, Cynara e Cyva) e os grasnidos dessas duplas atuais, fico com a minha caretice.
O mesmo vale para os intérpretes masculinos. Neste 20 de janeiro faz quatro anos que a dupla Os Vips se desfez, com a morte do Márcio Antonucci, irmão do parceiro Ronaldo. Você, jovem admirador de Fernando e Piracicaba (vamos discutir por causa de cem quilômetros?), já ouviu falar da dupla Os Vips? Se não, dê uma acessadinha rápida no Youtube e conheça-os. Caso não goste, sem problema, continue com Maykon & Phellypy ou qualquer outra dupla do “sertanejo universitário” (de qual sertão será essa universidade?).
Fico com Elis e Jair.

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