No tempo de Elis
Quem foi Elis
Regina? Ora, direis, foi uma das maiores intérpretes da música brasileira.
Simples assim.
Concordo. Elis
Regina foi uma das mais autênticas cantoras que ouvi. Aliás, que ainda ouço, pois
pra isso existem discos e o Youtube. Sexta, dia 19, fez 36 anos que a gaúcha
calou-se nesta vida.
Lembro-me muito bem
da primeira vez que assisti àquela intérprete cantando e chacoalhando os braços
– gesto que lhe valeu o apelido de “Eliscóptero”, dado por Rita Lee. Eu tinha 8
anos, em 1965, quando vi na TV como era a cantora que só ouvia no rádio. Ela
defendeu “Arrastão”, de Vinícius de Moraes e Edu Lobo, no festival de MPB da TV
Excelsior. Ali decolou uma carreira que vinha se arrastando em discos (quatro
já gravados!) de pouco sucesso. A partir de então, o público descobriu os
álbuns anteriores, veio o convite para apresentar o programa “O Fino da Bossa”
com Jair Rodrigues, a moça passou a vender disco adoidado e entrou para a
seleta galeria das grandes intérpretes mundiais.
Eu morava em São
Paulo, em 1976, quando Elis lançou o elepê “Falso Brilhante”, que considero um
dos melhores. O disco continha canções do show de mesmo título, que estreara no
ano anterior. O show ficou dois anos em cartaz, com mais de 1.200 apresentações. Nesse
espetáculo, Elis interpretou duas canções (“Como Nossos Pais” e “Velha Roupa Colorida”) escritas por Belchior,
tornando mais conhecido o então jovem compositor cearense. Desde aquela
época, “Falso Brilhante” é
o maior sucesso da carreira de Elis Regina, além de ser um dos discos mais
representativos da MPB.
Caramba, como eu queria ir ver o show... O ingresso, infelizmente, custava
quase o que minha mãe pagava de mensalidade na faculdade. Fiquei na vontade.
Veja só, cara
leitora, prezado leitor: dos nomes que citei acima, só dois permanecem vivos,
Edu Lobo e Rita Lee; os demais já foram para outro plano. O que têm em comum
Elis, Rita, Vinícius, Edu, Jair e Belchior? Todos representam uma época em que
dava gosto ligar o rádio ou ir ali na Discolândia comprar um elepê (ainda posso
citar a Disrepel de Rio Negrinho e a Bruno Blois de São Paulo, onde também
costumava adquirir discos).
- Tá, cronista, você
gosta de Cynara e Cybele, mas eu prefiro Simone e Samaritana – alega o jogador
de futebol ali ao lado, com seu cabelinho da hora e os caríssimos fones de
ouvido despejando pagonejo nos vãos do cérebro.
Tudo bem, sempre
digo isso: questão de gosto. Mas, sinceramente, entre a afinação do Quarteto em
Cy (as manas Cybele, Cylene, Cynara e Cyva) e os
grasnidos dessas duplas atuais, fico com a minha caretice.
O
mesmo vale para os intérpretes masculinos. Neste 20 de janeiro faz quatro anos
que a dupla Os Vips se desfez, com a morte do Márcio Antonucci, irmão do
parceiro Ronaldo. Você, jovem admirador de Fernando e Piracicaba (vamos
discutir por causa de cem quilômetros?), já ouviu falar da dupla Os Vips? Se
não, dê uma acessadinha rápida no Youtube e conheça-os. Caso não goste, sem
problema, continue com Maykon & Phellypy ou qualquer outra dupla do
“sertanejo universitário” (de qual sertão será essa universidade?).
Fico
com Elis e Jair.
Nenhum comentário:
Postar um comentário