quarta-feira, 4 de abril de 2018


Sorveteria Polar vai reabrir!

Que bom se fosse verdade, né? De preferência no mesmo endereço. Ainda peguei os estertores da famosa sorveteria quando cá aportei, em janeiro de 1979. Até o final do ano seguinte, tive o prazer de saborear algumas vezes o aclamado sorvete.
Pra quem não conhece, reaqueço matéria feita pela coleguinha Maria Cristina Dias no recém-extinto (mais um...) Notícias do Dia. A sorveteria foi fundada em 1935, por Adolfo Bernardo Schneider, guarda-livros por profissão e pesquisador da história de Joinville. No início, funcionava na rua Visconde de Taunay, quase na esquina com a rua 9 de Março, e mais tarde passou para a 15 de Novembro, ao lado da atual Casas Bahia. A casa tinha dois pavimentos e a família de Adalberto e Wally Koch morava no andar de cima. Embaixo ficava o estabelecimento comercial. Na frente, um jardim, com mesas cobertas por guarda-sóis, cerca baixa e um caramanchão florido por cima do portão. Na parte de dentro um balcão onde o próprio Adalberto Koch, ou Nene, como era conhecido, produzia sorvetes e chantili, com uma batedeira manual. Nos anos 60, 70, a Polar fazia parte do ritual da juventude, especialmente nos fins de semana. Os amigos se encontravam na sorveteria no final de tarde. Depois rumavam para o Cine Colon, o principal nesse período. Quando acabava a sessão, muitas vezes iam dançar em locais como o Clube 25, que ficava entre a rua 15 de Novembro e a 9 de Março, no último andar de um prédio. Fechou no final de 1980.
Citei ali no parágrafo anterior mais dois saudosos estabelecimentos, os cines Colon e Palácio. Vi muito filme bom ali – algumas bombas também, claro. O Colon, destruído por um incêndio, dedicava suas sessões a filmes mais cult. Já no Palácio, hoje sede da Igreja Universal, passava de tudo, de “Star Wars” aos pornôs dos anos 80 e 90.
Depois do cinema, dava pra jantar na Churrascaria Rex, na Pizzaria Casarão ou no Restaurante Mamma Mia. Outras opções? Tante Frida, Pinus, Sopp... Ou um chopinho no Gato Preto. Dançar? Sargentos, Gina, Floresta, Baturité, Rhariah...
Ah, e um chimarrãozinho com erva-mate fresquinha comprada no comércio de Fernando Tilp. Aliás, passando pela João Colin, percebi que as portas do Empório São Bento estão cerradas. Mais um que se foi.
Alguns desses estabelecimentos desapareceram há décadas, como a Polar. Outros, recentemente, como a não citada mas igualmente já saudosa Flora Hardt. São marcas de uma Joinville que continua escrevendo sua história. A questão é de adaptação. A Consul não ia bem das pernas? Venda-se, mas não se deixe morrer. Só que, no caso de uma grande indústria, há caminhos para se manter o negócio, ainda que sob nova direção. Mas uma coisa é fabricar geladeiras, outra é manter uma choperia num mercado superconcorrido; ou sustentar um Riachuelo, um Odivan, frente ao avanço das grandes redes.
Saudosista? Claro que sou, ora; quem lê minhas crônicas nos últimos quinze anos, em A Notícia, no rio-negrinhense Perfil ou no ND, sabe que gosto de cultuar as memórias. Mas sei aceitar o presente e o futuro. O saudosismo serve pra não esquecermos o passado.
Mas que não se faz mais sorvete e salada de frutas como na Polar, ah... Não mesmo!

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