terça-feira, 21 de novembro de 2017

O ocaso de uma história escrita
Publicado por  fazeraqui em  20/11/2017
Por Roberto Szabunia*

Jornal do Brasil encerra atividades.
Fechado o Jornal da Tarde.
Fim do Notícias Populares.
Gazeta Mercantil fecha as portas.
Gazeta do Povo idem
E Notícias do Dia.
Isso vem se repetindo neste século 21, cada vez mais amiúde.
No ano passado, ao menos 11 veículos de comunicação fecharam as portas ou deixaram de circular impressos. Entre eles, o Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, publicação dos Diários Associados, que encerrou uma história de 189 anos de circulação ininterrupta, tendo o posto de mais antigo da América Latina.
Veículos históricos deixaram o papel, para ocupar apenas a internet, enquanto outros, infelizmente, anunciaram o fechamento de suas redações de forma definitiva.
Por que acontece isso? Culpa da Cris, dizem. Qual Cris? A Crise, ué.
Certo, condições econômicas adversas provocam problemas, sabemos disso. Mas a questão vai além, e pega, infelizmente, o hábito cada vez mais raro da leitura. Não só entre nós, brasileiros. Jornal parando de imprimir ou fechando as portas é fenômeno comum no mundo todo.
Preguiça? Acesso a outras mídias? Queda na qualidade dos jornais?
Um pouco de cada ingrediente, creio. Há uns cinco anos, ainda repórter do – falecido – Notícias do Dia edição Joinville, estranhei certo dia a ausência da vendedora no ponto em que a encontrava todos os dias. Ao chegar à sede da RIC, fiquei sabendo que a venda em rua estava sendo suprimida, por falta de movimento.
Alguns dias depois, também não vi jornaleiros oferecendo A Notícia; mesmo motivo. Poucos meses após, também tradicionais pontos de venda, como mercearias e farmácias, começavam a cancelar as encomendas do ND. Sobravam bancas e assinaturas. Até dezembro de 2016, quando nem um nem outro canal tinham procura; com os anúncios também sumindo, a empresa fechou o jornal.
Semana passada circulou nas redes sociais mais uma bomba: A Notícia promovia um enxugamento na Redação. Mais jornalistas desempregados.
Assinante do Estadão, hoje leio a edição de domingo numa sentada; há seis anos, se tanto, cadernos de fim de semana garantiam leitura até terça ou quarta-feira. Havia o Sabático, ótimo caderno literário; o Aliás, caderno de cultura e artes, tinha doze páginas, passou pra dez, baixou pra seis e hoje tem quatro; caderno de esportes não existe mais, o noticiário foi agregado ao corpo do segundo caderno.
E por aí vai…
– Não tenho tempo pra ler jornal.
Ouço há anos essa desculpa. Conversa fiada… Falta é vontade mesmo.
– Ah, eu assisto ao Jornal Nacional.
Outra balela, pra justificar a preguiça de ler. Telejornal nenhum garante informação completa. E o telejornalismo brasileiro padrão Globo, com sua pirotecnia, tem muito show e pouco jornalismo. Acho ridículo apresentadores caminhando pelo estúdio e fingindo que conversam com o telão.
Jornais migram para a internet. Ok, mas ali tem que ser só aperitivo, canal de informação imediata, a notícia em cima da hora, esmiuçada na edição impressa do dia seguinte. Nesse ponto, minha opinião é que os veículos erram ao disponibilizar muita informação gratuita na internet.
Quem ainda gosta de ler, acaba se rendendo ao conformismo de acessar edições online; tá tudo lá, pra que comprar ou assinar jornal impresso? Responda aí, leitor ainda empenhado: quantos anúncios chamam tua atenção no monitor? Quantos te atraíram hoje? Outra vantagem do canal impresso: anunciantes são mais vistos.

Até os cachorros de apartamento sentem falta do jornal impresso…