O ocaso de uma história
escrita
Publicado por fazeraqui em 20/11/2017
Por Roberto Szabunia*
Jornal do Brasil encerra atividades.
Fechado o Jornal da Tarde.
Fim do Notícias Populares.
Gazeta Mercantil fecha as portas.
Gazeta do Povo idem
E Notícias do Dia.
Isso vem se repetindo neste século 21, cada vez mais amiúde.
No ano passado, ao menos 11
veículos de comunicação fecharam as portas ou deixaram de circular impressos.
Entre eles, o Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, publicação dos Diários
Associados, que encerrou uma história de 189 anos de circulação ininterrupta,
tendo o posto de mais antigo da América Latina.
Veículos
históricos deixaram o papel, para ocupar apenas a internet, enquanto outros,
infelizmente, anunciaram o fechamento de suas redações de forma definitiva.
Por
que acontece isso? Culpa da Cris, dizem. Qual Cris? A Crise, ué.
Certo,
condições econômicas adversas provocam problemas, sabemos disso. Mas a questão
vai além, e pega, infelizmente, o hábito cada vez mais raro da leitura. Não só
entre nós, brasileiros. Jornal parando de imprimir ou fechando as portas é
fenômeno comum no mundo todo.
Preguiça?
Acesso a outras mídias? Queda na qualidade dos jornais?
Um
pouco de cada ingrediente, creio. Há uns cinco anos, ainda repórter do –
falecido – Notícias do Dia edição Joinville, estranhei certo dia a ausência da
vendedora no ponto em que a encontrava todos os dias. Ao chegar à sede da RIC,
fiquei sabendo que a venda em rua estava sendo suprimida, por falta de
movimento.
Alguns
dias depois, também não vi jornaleiros oferecendo A Notícia; mesmo motivo.
Poucos meses após, também tradicionais pontos de venda, como mercearias e
farmácias, começavam a cancelar as encomendas do ND. Sobravam bancas e
assinaturas. Até dezembro de 2016, quando nem um nem outro canal tinham
procura; com os anúncios também sumindo, a empresa fechou o jornal.
Semana
passada circulou nas redes sociais mais uma bomba: A Notícia promovia um
enxugamento na Redação. Mais jornalistas desempregados.
Assinante
do Estadão, hoje leio a edição de domingo numa sentada; há seis anos, se tanto,
cadernos de fim de semana garantiam leitura até terça ou quarta-feira. Havia o
Sabático, ótimo caderno literário; o Aliás, caderno de cultura e artes, tinha
doze páginas, passou pra dez, baixou pra seis e hoje tem quatro; caderno de
esportes não existe mais, o noticiário foi agregado ao corpo do segundo
caderno.
E
por aí vai…
–
Não tenho tempo pra ler jornal.
Ouço
há anos essa desculpa. Conversa fiada… Falta é vontade mesmo.
–
Ah, eu assisto ao Jornal Nacional.
Outra
balela, pra justificar a preguiça de ler. Telejornal nenhum garante informação
completa. E o telejornalismo brasileiro padrão Globo, com sua pirotecnia, tem
muito show e pouco jornalismo. Acho ridículo apresentadores caminhando pelo
estúdio e fingindo que conversam com o telão.
Jornais
migram para a internet. Ok, mas ali tem que ser só aperitivo, canal de
informação imediata, a notícia em cima da hora, esmiuçada na edição impressa do
dia seguinte. Nesse ponto, minha opinião é que os veículos erram ao
disponibilizar muita informação gratuita na internet.
Quem
ainda gosta de ler, acaba se rendendo ao conformismo de acessar edições online;
tá tudo lá, pra que comprar ou assinar jornal impresso? Responda aí, leitor
ainda empenhado: quantos anúncios chamam tua atenção no monitor? Quantos te
atraíram hoje? Outra vantagem do canal impresso: anunciantes são mais vistos.
Até
os cachorros de apartamento sentem falta do jornal impresso…