sexta-feira, 7 de abril de 2017

Dinamismo na veia!

Ocupar cada momento do dia da melhor maneira possível, direcionando a maior carga de esforço ao trabalho, mas sem perder de vista a qualidade de vida, que passa pela disposição física e o aconchego da família. Uma receita simples, aplicável por qualquer ser humano, mas que ganha uma pitada extra de dinamismo quando se trata de Ingo Doubrawa.
Principal executivo da Docol Metais Sanitários, onde está desde 1969, Ingo é um profundo conhecedor do negócio, tanto administrando a empresa, quanto percorrendo a fábrica em busca do aperfeiçoamento de processos. Conhece cada linha de produtos detalhadamente, discorre tecnicamente com qualquer engenheiro ou operador de produção e demonstra o tempo todo o orgulho de fazer parte de uma equipe. “Este perfil, na verdade, envolve mais de mil pessoas”, diz, referindo-se a todos que fazem parte do quadro da empresa.
Mesmo com toda a responsabilidade diária à frente de uma organização líder de mercado, Ingo não se descuida da saúde e da proximidade com a família. Caminha todos os dias pela cidade, pontualmente às 6 e meia da manhã, sempre acompanhado da esposa Claudete. Ultimamente, admite, o hábito tem sido prejudicado. E a culpa, ironicamente, é do excesso de água, justamente o insumo em torno do qual gira a Docol. “Todos sabemos que uma das características de Joinville é a chuva, mas nos últimos tempos tem sido um exagero”, brinca.
Brincar é outra atividade à qual Ingo dedica boa parte do tempo. Sempre envolvendo o único neto, Guilherme, de 1 ano e meio. “Sou vovô coruja mesmo, e tenho muito orgulho do meu neto.”

Nadando no rio

Nascido em Joinville em 1942, Ingo Doubrawa dividiu sua infância entre a cidade natal e Jaraguá do Sul, de onde sua família é originária. “Meu pai trouxe a família para Joinville por causa da empresa, mas nunca cortou os laços com Jaraguá. Meu avô tinha um pequeno comércio, e eu sempre ia passar as férias lá. Tomei muito banho no rio Itapocu, numa época em que a cidade era pequena e sossegada”, lembra, já anexando mais um elo que o liga à água.
“As idas a Jaraguá, de trem ou de ônibus, eram verdadeiras viagens. Tenho boas lembranças da cidade, especialmente da chácara de um dos meus tios, onde tínhamos contato com a natureza.”
A origem dos Doubrawa remonta à Tchecoslováquia (hoje República Tcheca). O bisavô de Ingo deixou a cidade de Brno (pronuncia-se “Brenô”), por volta de 1870, vindo a se estabelecer em Joinville, onde se empregou na Comércio e Indústria Germano Stein, uma das primeiras empresas da cidade. Algum tempo depois, com a abertura de uma filial em Jaraguá do Sul, a família se transferiu para lá, onde hoje o sobrenome Doubrawa é bastante comum.
Em 1956, em Jaraguá do Sul, nascia a Docol, nome que fundia os sobrenomes Doubrawa e Colin, dos fundadores Amandus Colin, Egon e Edmundo Doubrawa (pai de Ingo). Dois anos depois, os empreendedores resolveram transferir a empresa para o centro de Joinville, fabricando artigos dentários, válvulas de sucção, ponteiras, torneiras e registros.
O começo da história, conta Ingo, envolve dentaduras. Seu pai trabalhava no Laboratório Catarinense, que estava encontrando dificuldades em importar os moldes de dentaduras. Ele pediu aos tios, que eram torneiros mecânicos em Jaraguá, que produzissem alguns tornos para fabricar os moldes. O resultado, conta Ingo, foi o melhor possível. “Aí – continua – meus tios começaram a matutar: já que estamos fazendo esses tornos, poderíamos usinar algumas torneirinhas, uns chuveirinhos... Daí partiram para as válvulas de sucção, que foram durante muito tempo o principal produto da Docol.”

O emprego que não existiu

A carreira estudantil de Ingo Doubrawa foi passada no Colégio Bom Jesus, do primário (atual ensino básico) ao científico (ensino médio). “Na época, ao terminar o ginásio o estudante optava entre o científico e o técnico contábil, dependendo do rumo que pretendesse seguir. Achei melhor fazer os dois, por influência do meu pai. Ele achava que eu deveria seguir alguma carreira na área de engenharia, mas também me cobrava conhecimentos sobre contabilidade e administração”, relata Ingo, já demonstrando na juventude o dinamismo que o acompanharia durante a vida.
Veio então a faculdade de Engenharia Química na Universidade Federal do Paraná. Aluno aplicado, passou logo no primeiro vestibular e se instalou numa república de estudantes em Curitiba, onde ficou até se formar, em 1964. Um dos colegas de apartamento era o também joinvilense Ivo Jacob, hoje médico. “Eu vinha a Joinville duas vezes por mês, numa viagem que chegava a durar três horas, por uma estrada sem asfalto. E ainda tinha aquela parada obrigatória na subida da serra, em Garuva, para um lanche.”
Formado, assumiu o lugar reservado na Docol? Seria algo até natural, mas o caminho foi outro. “Nunca esteve previsto que eu trabalharia na Docol. Fiz Engenharia Química justamente porque meu pai fez questão que eu fosse para o Laboratório Catarinense.” O posto de Ingo seria na fábrica de embalagens de vidro da empresa, onde se produziam os frascos de Sadol, Renascim e outras marcas famosas. Seria. O jovem recém-formado nem chegou a assinar carteira no Laboratório. No seu caminho estava a Alemanha.
Ingo conta: “Meu pai havia trazido para Joinville uma unidade da Kavo, indústria alemã fabricante de equipamentos odontológicos. No final de 1964, o presidente da empresa passou o Natal conosco. Durante um jantar, quando soube que eu iria começar no Laboratório, foi taxativo, dizendo que eu deveria primeiro fazer um estágio na Alemanha”. A decisão foi rápida e simples: “Meu pai disse ´tá bom, você vai pra Alemanha´”.
Assim, o primeiro emprego nem chegou a existir, e no dia 26 de janeiro de 1965 Ingo desembarcava em Stuttgart, onde já o aguardava a esposa do executivo da Kavo. Foi trabalhar no laboratório Behringer, hoje um dos maiores fabricantes mundiais de medicamentos. Foi morar era Biberach an der Riss, pequena cidade onde fica a sede da Kavo. O idioma não era problema, já que o alemão era o idioma da família. Os Doubrawa eram originários da região que fazia parte do antigo império austro-húngaro, que tinha o alemão como língua oficial.
“Era ainda uma época de reconstrução da Alemanha, dizimada na segunda guerra. O país precisava muito de mão de obra, e havia milhares de vagas para trabalhadores temporários, chamados convidados. Deste modo, o jovem joinvilense se viu em meio a portugueses, italianos e hindus, entre outros trabalhadores vindos de várias partes do mundo.
“Fiquei dois anos na Alemanha, trabalhando em pesquisa de medicamentos. Ainda que sofresse com o frio em torno de 20 graus abaixo de zero, foi um período de grande aprendizado”, garante Ingo. Entre os hábitos adquiridos na época, recorda com bom humor dos sagrados jantares de quinta-feira na casa dos Hoffmeister (do presidente da Kavo). “Era rígido este compromisso, eu não podia faltar de jeito nenhum. Era o momento de fazer um relatório, eles queriam saber tudo que eu inventava, se estava trabalhando direitinho, onde ia, o que fazia. Eram sempre as mesmas perguntas e as mesmas respostas.” Outro problema destes encontros semanais era o cardápio. “Não recordo exatamente o que se servia, mas sei que era sempre a mesma comida, algum prato à base de ovos mexidos. Eu não aguentava mais comer aquilo.” Alguns anos depois, numa visita à frau Hoffmeister, já viúva, na mesa ao jantar, adivinhe? “A mesma comida!”
Na cidade onde residia, Ingo tinha como aposento um porão. “Era um porão mesmo, daqueles que a gente vê nos filmes. A vantagem era que, por ser subterrâneo, ficava um pouco mais quentinho que o resto da casa.” E novamente a água desempenha um papel importante na vida de Ingo Doubrawa. “Água, naquele tempo de reconstrução, era um bem preciosíssimo e raro. Banho, só uma vez por semana, e olhe lá! Felizmente, era possível tomar banho quase todo dia na empresa. Quase, porque às vezes a fila era tão grande que a gente acabava desistindo.” Dava saudade dos banhos no rio Itapocu.
Aqueles dois anos na Alemanha também foram um verdadeiro banho cultural. Tomados os necessários cuidados, era possível visitar outras regiões e até países próximos. “O problema eram as viagens demoradas, pois as ferrovias ainda estavam em reconstrução, e as rodovias eram precárias”, lembra. Atualmente, as viagens à Europa são feitas todos os anos, até por conta dos compromissos pela Docol, sempre presente em feiras e eventos em diversos países.

Inevitável: trabalhar na Docol

Encerrado o período de aprendizagem na Alemanha, Ingo Doubrawa acabou parando onde não era previsto: foi trabalhar na Docol. “Mas não tive moleza, comecei na linha de produção, como operador.” Ali aprendeu tudo que sabe sobre o mercado da Docol e tomou consciência, acima de tudo, da necessidade de preservar a água.
A empresa, na época ainda pequena, funcionava na rua Visconde de Mauá, no América. “Não tinha um terço do que vemos hoje nesta foto”, garante Ingo, apontando para um dos pôsteres que mostram a evolução da Docol.
De ajudante de produção, Ingo foi galgando postos de comando, até assumir a presidência, em julho de 1988. A essa altura, já era casado com a joinvilense Claudete, que conhecera em algum dos muitos bailes que frequentavam. “Deve ter sido num baile no Ginástico, pois naquele tempo a principal diversão dos jovens era dançar. Ficavam os rapazes num lado do salão, as moças no outro lado. Quando se escolhia com quem dançar, precisava ser rápido, pois a concorrência era grande.”
O casal teve uma única filha, Vanessa, que há um ano e meio lhes deu o neto Guilherme. Com ele, Ingo esquece do tempo. “É um menino muito tranquilo, sempre sorridente. Pra ele não tem tempo ruim”, garante o avô. Outro dos prazeres da vida de Ingo e Claudete é passar finais de semana e as férias na sua casa em Piçarras. “Não há nada melhor do que uma boa caminhada à beira-mar para manter a forma e a saúde, além de arejar a mente”, garante.
Planos? “Continuar trabalhando, sem data definida para aposentadoria. Nossa missão, de oferecer soluções para o planeta água, exige muito esforço.” E dinamismo, virtude que parece não faltar a Ingo Doubrawa.



Ingo e a Docol

A partir de 1969, quando entrou na Docol, Ingo Doubrawa resgata muitos fatos dignos de registro, como mostra a cronologia a seguir.

1973 - Lançada a primeira válvula de descarga sem o golpe de aríete (barulho provocado pelo fechamento brusco do fluxo de água).

1976 - Desenvolvida válvula de descarga com alta performance, sendo a primeira com 10 anos de garantia.
Constituída a joint venture com a empresa alemã Georg Rost & Sohone – Dal.

1980 - Formada joint venture com a empresa argentina FV S.A., surgindo a Docol FV Ltda., que passou a fabricar metais sanitários de alto luxo.

1986 - Iniciada a transferência do parque fabril para o distrito industrial.

1991- É lançada é linha DocolMatic, composta por produtos economizadores de água.

1994 - Docol se associa à Incepa, dando origem à marca Incepa Metais.

1997 - Docol recebe a certificação da ISO 9001 pelo BRTÜV, da Alemanha, para fabricação de válvulas de descarga.

1998 - Docol Indústria e Comércio de Materiais Hidráulicos e Metais Sanitários Ltda. e Docol FV Indústria e Comércio de Metais Sanitários Ltda. se unificam, surgindo a Docol Metais Sanitários Ltda.

1999 - Docol adquiri a Incepa Metais, incorporando os produtos às linhas DocolArte.
Conquista do prêmio Master no segmento de Produtos Economizadores de Água e no de Melhor Fabricante de Metais Sanitários, ambos da Anamaco, repetindo em 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2006.

2001 - No dia 22 de março, Dia Mundial da Água, é inaugurado o Centro de Treinamento Docol, com um investimento de US$1,1 milhão.

2002 - Docol ingressa nos mercados dos Estados Unidos e Canadá com marca própria, a Docol Faucets.

2004 - Inaugurado o Centro Administrativo no parque fabril.




Com a palavra

“Tínhamos uma amizade muito grande, nossas famílias se davam bem, e passamos alguns bons anos convivendo em Curitiba, enquanto fazíamos a faculdade. A chegada do Ingo à presidência da Docol era uma coisa natural, estava previsto, pois ele é uma pessoa inteligente e dedicada. Há alguns anos até estivemos juntos visitando a cidade onde ele morou, na Alemanha.”
Ivo Jacob é médico aposentado, e dividia o apartamento com Ingo, quando ambos faziam a faculdade em Curitiba.