sexta-feira, 6 de abril de 2018


Parabéns, professora!

Calma, não tô me adiantando, sei que o Dia do Professor é só 15 de outubro. Naquela data, com quase certeza, escreverei uma crônica a respeito do tema. É que hoje, 4 de abril, quando escrevo esse texto, minha agenda marca o aniversário da professora Marília, uma das minhas mestras no ginásio. Ao cumprimentá-la, não tenho como não passar o dedo no cantinho do olho, onde uma furtiva gotinha desceria face abaixo.
E por que o acesso de nostalgia?
Ora, primeiro porque sou saudosista mesmo, quem me lê sabe disso. Não que me apegue ao passado, mas não gosto de esquecê-lo, por tudo que representa e pelas lições aplicadas no presente.
Marília, nascida lá no Sul do estado e tornada rio-negrinhense quando o marido Pedrinho Berkenbrock assumiu a direção do Ginásio São José, compunha um time de professores que marcou a história de Rio Negrinho. Eles começaram a entrar em minha vida em março de 1968, no primeiro dia de aula no curso ginasial (correspondente aos atuais últimos quatro anos do ensino fundamental). Eu saía do primário no Educandário Santa Teresinha, mantido por uma congregação religiosa, onde quatro freiras deram-me a base para tudo que viria depois.
Felizmente, tanto o primário quanto o ginásio funcionavam no mesmo prédio, pois lá a então CNEG – Campanha Nacional de Escolas Gratuitas –, hoje CNEC, arrendava todo o pavimento térreo para instalar o ginásio. Por isso, desci do segundo andar pro térreo, trocando o uniforme cáqui de marinheiro por um azul e branco (não era pra ser militar, mas tinha uma tirinha sobre o ombro da camisa, como em alguns uniformes). Aliás, no primeiro ano não havia uniforme, cada um ia como queria pra aula; foi em 1969 que o professor Pedrinho decidiu criar uma roupa padrão: calça azul, camisa branca com a tal dragona – ou algo assim – azul no ombro e blusa azul; nos pés, conga azul no dia-a-dia e branca no desfile de 7 de setembro. Já em 1970 a blusa foi substituída por uma japona azul-escuro, bem grossa pra suportar o frio da serra. E em 1971 saíram a camisa e a japona e entrou uma blusa amarela com o símbolo do ginásio em azul na frente. Esse uniforme perenizou-se, ganhando os acréscimos de camisa de mangas curtas e bermudas (já não se fazem invernos como antigamente, nem em Rio Negrinho).
Pois bem, retomando o fio da história... Enquanto no primário uma irmã dava todas as matérias pra cada classe, no ginásio tínhamos diversos professores, cada um encarregado de uma disciplina. Meus colegas de turma podem me ajudar a refrescar a memória, mas pelo que me lembro, Kormann dava História; Arnaldo, Matemática; Marília, Português; Pedrinho, Desenho; Íria, Canto Orfeônico; e Ciência, meus deuses, quem era o professor de Ciências? Ah, memória traiçoeira...
Ao longo dos quatro anos de ginásio, alguns mestres permaneceram, vieram outros – padre Otto no Inglês; Arete na Educação Artística; Marcos na Matemática; Valdir no Português; Edvino em Ciências; o Sargento na Educação Física – e o principal era que a qualidade só crescia. Soubemos, lá por 1970 ou 71, que o São José era considerado o melhor ginásio da rede cenecista no país. Eita, orgulho!
Alguns dos professores acompanharam parte da turma no Científico, já em outro colégio, o Estadual Manoel da Nóbrega. E dois ou três colegas enveredaram pelo sagrado ofício do magistério, dando aulas no nosso ginásio.
Aproveito, então, o aniversário da professora Marília (que nos ensinou a preciosa dica: acentuam-se as paroxítonas terminadas em lãnirux) para recordar e homenagear todos os professores a quem respondi “presente!” nos onze anos de escola. Anos que, garanto, foram imprescindíveis para formar o cidadão que sou hoje.
(E já vale essa crônica para o dia 15 de outubro)

Nenhum comentário:

Postar um comentário